Historia da Arte

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O QUE É A ARTE?

Criação humana com valores estéticos (beleza, Equilíbrio, harmonia, revolta) que sintetizam as suas emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura.
É um conjunto de procedimentos que utilizados para realizar obras, e no qual aplicamos nossos conhecimentos.
Se apresenta sob variadas formas como: a plástica, a música, a escultura, o cinema, o teatro, a dança, a arquitetura etc.
Pode ser vista ou percebida pelo homem de três maneiras: visualizadas, ouvidas ou mistas (audiovisuais), hoje alguns tipos de artepermitem que o apreciador participe da obra.
O artista precisa da arte e da técnica para comunicar-se.

Quem faz arte?

O homem criou objetos para satisfazer as suas necessidades práticas, como as ferramentas para cavar a terra e os utensílios de cozinha. Outros objetos são criados por serem interessantes ou possuírem um caráter instrutivo.
O homem cria a arte como meio de vida, para que o mundo saiba o que pensa, para divulgar as suas crenças (ou as de outros), para estimular e distrair a si mesmo e aos outros, para explorar novas formas de olhar e interpretar objetos e cenas.

Por que o mundo necessita de arte?

Porque fazemos arte e para que a usamos é aquilo que chamamos de função da arte que pode ser ...feita para decorar o mundo... para espelhar o nosso mundo (naturalista)... para ajudar no dia-a-dia (utilitária)...para explicar e descrever a história...para ser usada na cura doenças... para ajuda a explorar o mundo.

Como entendemos a arte?

O que vemos quando admiramos uma arte depende da nossa experiência e conhecimentos, da nossa disposição no momento, imaginação e daquilo que o artista pretendeu mostrar.

O que é estilo? Por que rotulamos os estilos de arte?

Estilo é como o trabalho se mostra, depois de o artista ter tomado suas decisões. Cada artista possui um estilo único.
Imagine se todas as peças de arte feitas até hoje fossem expostas numa sala gigantesca. Nunca conseguiríamos ver quem fez o que, quando e como. Os artistas e as pessoas que registram as mudanças na forma de se fazer arte, no caso os críticos e historiadores, costumam classificá-las por categorias e rotulá-las.
É um procedimento comum na arte ocidental.
Exemplo:
Renascimento
Impressionismo
Cubismo
Surrealismo

Como conseguimos ver as transformações do mundo através da arte?

Podemos verificar que tipo de arte foi feita, quando, onde o como, desta maneira estaremos dialogando com a obra de arte, e assim podemos entender as mudanças que o mundo tiveram.

Como as idéias se espalham pelo mundo?

Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas. Os progresssos na tecnologia também difundiram técnicas e teorias. Elas se espalham através da arqueologia , quando se descobrem objetos de outras civilizações; pela fotografia, a arte passou a ser reproduzida e, nos anos 1890, muitas das revistas internacionais de arte já tinham fotos; pelo rádio e televisão, o rádio foi inventado em 1895 e a televisão em 1926, permitindo que as idéias fossem transmitidas por todo o mundo rapidamente, os estilos de arte podem ser observados, as teorias debatidas e as técnicas compartilhadas; pela imprensa, que foi inventada por Johann Guttenberg por volta de 1450, assim os livros e e arte podiam ser impressos e distribuídos em grande quantidade; pela internet, alguns artistas colocam suas obras em exposição e podemos pesquisá-las, bem como saber sobre outros estilos.
Fonte: www.artesbr.hpg.ig.com.br
História da Arte
O sentido da palavra "ARTE", assim como a classificação das atividades a ela ligadas , variou muito desde o início da Idade Média européia. Esta tinha herdado da Antiguidade a noção de artes liberais , atividades intelectuais opostas àquelas em que intervinham a mão e o material. Mesmo considerando os "ofícios" (métiers) como inferiores , reconheceu-se que existia uma arte (conjunto de meios adequados) para melhor exercê-los.
Por outro lado , alguns desses ofícios , que exigiam especulação intelectual, formaram, no séc.XVIII, o grupo das belas-artes:arquitetura , escultura , pintura , gravura , às quais se juntaram a música e a coreografia. Os que as praticavam , segundo um processo iniciado desde a Renascença e ampliado pelo academismo , passaram da situação de trabalhadores ou artesãos - frequentemente ligados a tarefas coletivas - à posição mais independente de artistas.
Durante muito tempo ainda a sociedade exigiria dos artistas a prática de um ofício: as profissões artísticas seriam aquelas das artes decorativas ou aplicadas ; nas quais colaboravam arquitetos , pintores, escultores, etc.
Finalmente , diante de uma civilização industrial que pretendia garantir por si mesma a produção de bens materiais , segundo normas coletivas quase sempre opressoras , aquilo que tinha sido até então a exceção (o privilégio intelectual do qual gozava um Leonardo da Vinci) se tornou habitual no séc.XIX e, mais ainda, no séc.XX.
O "grande pintor ou escultor, assim como o poeta - a menos que sua própria solidão o transforme num artista "maldito" - , toma a si a missão de expressar, para além de qualquer finalidade utilitária, certas dimensões privilegiadas da existência. Tarefa que pode tornar-se pesada demais para inúmeros artistas que, embora talentosos, estão mais ligados à produção de "imagens decorativas" e de evasão, de acordo com o gosto médio da maioria do público consumidor, que não dispõe do lazer, da ocasião, do preparo ou da orientação necessários para desfrutar de uma aventura artística mais ambiciosa.
Esta nova maneira de ver a missão da arte (e não mais das artes) resulta da exigência de liberdade cada vez mais reclamada por artistas que se vêem como "criadores" ou "pesquisadores", diante da alienação sócio- econômica-cultural.
Em lugar de perseguir a "beleza" e suas "regras", as vanguardas preferiram, de fato, em suas sucessivas oscilações, a busca de uma expressão tão autêntica quanto possível das pulsações do ser como ressonância de todas as coisas (do romantismo ao expressionismo e ao surrealismo), ou de uma especulação sobre todas as coisas e, principalmente, sobre a natureza mesma daarte (da abstração enquanto plástica pura às tendências conceituais, passando pela antiarte do dadaísmo).
Assim, a natureza da arte revela-se indefinível: atividade humana que percebemos como específica, mas cujos contornos se desmancham, assim como desaparecem as fronteiras entre disciplinas antes codificadas (pintura, escultura), e até mesmo, por vezes, a fronteira entre arte, escrita, ciências humanas, etc.
arte engajada, que utiliza os meios do realismo ou do simbolismo, raramente nos satisfaz, dividida que é entre uma "forma" e um "fundo" - dicotomia recusada também pelas mais altas formas de literatura. No extremo oposto, a arte experimental, embora desejando colocar-se a serviço de todos, permanece hermética, e se vê (como a precedente) "recuperada" pelo esnobismo e pelo dinheiro, mostrando, quase sempre, apenas uma aparência de liberdade.
Em ambos os casos, as experiências bem-sucedidas parecem ser a exceção, atingindo apenas alguns poucos amantes da arte, e revelando-se tão-somente no próprio processo da criação.
O novo campo de sensibilidade descoberto pelo artista perde frequentemente sua virtude ao ser repetido (ainda que pelo próprio autor); só pode servir como base para novas superações
Vista sob este ângulo extremo de profecia delirante ou questionadora, a arte é uma atividade absolutamente subversiva, exorbitante das normas servis da realidade vivida, mas cuja finalidade poderia ser a de participar de uma hipotética liberação da vida (único ideal humano verdadeiramente sério), até se fundir com ela.
Fonte: www.theart.com.br
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cubismo, uma das primeiras correntes artísticas das chamadas vanguardas históricas do século XX, manifesta-se na França entre os anos 1908 e 1910.
Os pintores e escultores deste movimento afirmavam que na natureza é possível reduzir todas as coisas a formas geométricas perfeitas, mediante as quais elas podem ser representadas. Essa síntese da realidade é fruto de uma busca dos elementos mais fundamentais e primários das artes plásticas, de suas próprias raízes.
Cubismo
Casas de L'Estaque
Georges Braque
De fato, uma das características principais do cubismo é a revalorização das formas geométricas - triângulos, retângulos e cubos, além, é claro, da proposição da pintura e da escultura como formas de expressão.
Quanto ao nome dado a esse novo movimento, ele não partiu dos próprios artistas, mas dos críticos de arte da época, totalmente desconcertados diante desse novo caminho de expressão artística.
Ao visitar as primeiras exposições e convencidos de que se tratava de uma arte experimental que nunca chegariam a entender, começaram a se referir às obras com o nome de cubos ou de raridades cúbicas.
Essa nova corrente foi representada por dois grandes pintores e escultores: Pablo Picasso e Georges Braque, embora se possa dizer que foi o primeiro, com sua obra As Senhoritas de Avignon, que iniciou o cubismo propriamente dito.

ESCULTURA CUBISTA

No terreno da escultura, o cubismo destaca-se dos movimentos artísticos anteriores porque, diferentemente deles, suas obras são pensadas e construídas como nas colagens, com todo tipo de materiais: madeira, metais, papelão, cordas e outros, todos reunidos com o único fim de se obter uma escultura praticamente experimental e não concebida para a posteridade em mármores eternos e metais sólidos.
Como acontece na pintura, predominam as formas geométricas planas, e o pouco volume é conseguido com sua superposição. Não há preocupação quanto ao ponto de vista do observador, nem quanto à criação de cavidades ou espaços, nem sequer quanto à direção da luz. Às vezes há uma aproximação dos princípios futuristas, na tentativa de plasmar não apenas as diferentes faces espaciais de um objeto, coisa natural na escultura, mas também as temporais.
Um valor adicional da escultura cubista é a fascinação de seus representantes pela arte étnica, principalmente a africana, pela qual se deixam influenciar e da qual extraem aquilo que lhes agrada.
Por isso, não é de admirar o fato de muitas de suas obras terem algo desse caráter rústico e sutil da arte africana, embora sempre dentro dos princípios do cubismo: formas geométricas planas e volumes reduzidos à sua expressão mínima.
Fonte: www.cen.g12.br
Cubismo
Diversos movimentos artísticos contribuíram para a formação do design moderno, entretanto, pretendo enfatizar aqui o cubismo, que é considerado um dos mais importantes e precursores dentre os demais movimentos.
Cubismo
Natureza Morta, Georges Braque, s.d.
Iniciado por Pablo Picasso em 1907, com o quadro Les Demoiselles d'Avilon, o cubismo só iria ter este nome anos mais tarde, quando seria de fato reconhecido como estilo. A insatisfação do pintor em relação a perfeição formal e linear de suas pinturas, em sua fase rosa, o fez introduzir este novo conceito de realidade, rejeitando tradicionais técnicas de perspectiva, forma, textura, cor e espaço. Esta maneira diferente de representar o mundo foi amplamente discutida, ainda como "arte de pintar cubos", em cafés parisienses, na companhia de champagne e vinho, por muitos artistas como Raoul Dufy, Georges Braque, André Derarn e o próprio Picasso, além de jornalistas, fotógrafos, poetas e escritores.
Sob forte influencia negro-africana e principalmente de Cézanne ("Nature should be handled with the cylinder, sphere and cone"), ocubismo caracteriza-se por ser semiabstrato, esquemático e em parte geométrico, sendo muitas vezes bidimensional. Elementos como o papel de jornal e revistas eram utilizados em obras pintadas ou desenhadas, através da colagem. Objetos fragmentados com vários lados, podendo-se enxergá-los simultaneamente também foram construídos.
cubismo teve sua própria força e destaque, dependendo pouquíssimo de outras influências. Braque ocupou também, junto a Picasso, papel relevante no desenvolvimento e solidificação do cubismo. Le Corbusier é um exemplo da influência cubista na arquitetura, uma vez observadas as casas por ele planejadas na década de 20. No Brasil, o pai deste estilo é Antonio Gomide, que depois de conviver com Picasso, Braque e Andre Lhaote na Europa, inaugurou a arte cubista em sua terra natal. Outros grandes representantes brasileiros são Anita Malfati, que participou da Semana de Arte Moderna de 1920, Vicente do Rego Monteiro e Cândido Portinari.
O cubismo foi um acontecimento artístico único, que em muito contribuiu para o progresso no campo visual da comunicação. Tendo como antecessor a Art Noveau, e influenciando estilos posteriores e até mesmo simultâneos como o futurismo, que mesmo prejudicado pelo advento da 1ª guerra fincou suas raízes, dadaísmo, a arte enlouquecida e revoltada, surrealismo, construtivismo e demais movimentos russos, Art Decó, que retomou a decoração rebuscada da Art Noveau, a escola de Bauhaus e De Stijl de Doesberg. Apesar da 1ª guerra Mundial, o movimento cubista persistiu na Espanha, na Holanda e na Suíça, que não participaram do conflito, se aperfeiçoando e se ampliando até meados da década de 20
http://www.portalsaofrancisco.com.br
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A estética do cubismo e o fim do espaço renascesntista


Impressionismo pôs em prática a primeira revolução moderna na arte. Com o rompimento da linha que contorna afigura o real da pintura começou a ser desvelado. O pintor começou a valorizar na tela a mancha pictórica, afastando-se cada vez mais da realidade, até a invenção do Cubismo que desencadeou a subversão darepresentação, a valorização das formas geométricas em substituição da anatomia, afirmação da autonomia da artee a mudança de localização do sujeito/espectador diante da pintura.
Por traz do Cubismo, a história de um artista angustiado que reagiu ao impressionismo em busca do que a pinturatinha perdido: a profundidade. Curiosamente, é quem mais encaminha para a planificação, o espaço renascentista. Ao transmitir uma sensação de profundidade sem criar uma ilusão, reduziu a diferença entre figura e fundo. Paul Cézanne, o pai do Cubismo, sem qualquer incentivo, insatisfeito com sua pintura, considerava-se um fracasso e, quase no final da vida, reconheceu que tinha alcançado lentos progressos, “por que tão tarde?”, interroga a si mesmo. Mas esses pequenos progressos eram os recursos que Picasso e Braque precisavam para inventar a estéticaque direcionou os rumos da arte moderna.
A intenção de Cézanne era interpretar a natureza segundo os sólidos geométricos: o cilindro, o cone e a esfera. Aarte que desde a Renascença estava mergulhada no excesso do real, tinha como verdade inquestionável a ilusão de espaço na superfície do plano, um pressuposto básico da tradição da pintura ocidental. Cézanne abriu as portas para os cubistas transgredirem as tradições e convenções da visualidade naturalista que orientava a arte no ocidente. O olhar cubista em movimento e a decomposição da forma, por livre vontade da imaginação e da fantasia do artista, construíram um espaço para desnudar as aparências e mostrar que a forma pode ser percebida de múltiplos pontos de vistas na mesma cena.
Na Renascença, era a geometria que regulava a relação entre o homem e o mundo representado no suporte bidimensional, ele era o observador privilegiado e centrado que dominava o entorno com o olhar. O Cubismo fragmentou o campo visual, descentrou o olhar e inventou um espaço multifacetado. Era a percepção da verdademoderna, confirmada pelo inconsciente descoberto pelo Dr. Freud, quando o sujeito perdeu sua posição de senhor absoluto e deixou de ser o centro organizador da representação. O Cubismo foi uma revolução na história do olhar. As contradições entre figura e fundo, claro e escuro, foram abaladas, a cor secundária. O que importava era o espaço construído pelas inquietações da percepção. Encerrava-se um modelo de ver, o compromisso de fidelidade com a aparência das coisas.
Sem um lugar fixo, o espectador passou a se desloca constantemente diante do que está à sua frente. Uma justaposição de perspectivas que mostra observações diferentes da mesma paisagem, o espaço moderno fragmentado, habitado pela velocidade da máquina. O Cubismo criou a estética da modernidade, um ideal de beleza inventado pelo raciocínio e pelas mãos de sujeito/artista. E dele sugiram as principais vanguardas revolucionárias queabalaram a ordem do olhar na primeira metade do século XX: O Construtivismo e o Futurismo de um lado e de outro, o Dadaísmo e o Surrealismo.
Les Demoiselles D’Avignon de Pablo Picasso dá início ao movimento, influenciado por Cézanne com sua pesquisa formal e experimental sobre as artes primitivas e as mascaras escultóricas africanas. Picasso, na rejeição de um lugar projetado para além do plano do quadro, renuncia à perspectiva. As coisas e o espaço se fundiram na pintura. As formas e os volumes foram geometrizados. Nas palavras do crítico e teórico do grupo, Apollinaire: “A geometria está para as artes plásticas, assim como a gramática está para a arte de escrever.” As partes de um mesmo objeto eram projetadas num mesmo plano, abstraindo sua aparência imediata. Um privilégio do bidimensional contra a idéia de artecomo imitação da natureza.
Decompor a realidade e depois recriá-la a partir de um repertório de elementos geométricos era o objetivo do artista cubista, para revelar o que se passa despercebido na imagem, como: a estrutura de figuras humanas e de objetos. Os objetos vistos de vários ângulos, ao mesmo tempo, eliminam a ilusão de tridimensionalidade. Movimento das artes plásticas, o Cubismo influenciou a literatura, principalmente a poesia com uma preocupação voltada para a construção gráfica do texto, antecipando a poesia concreta. 
http://www.portalartes.com.br

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Para além do spray

TEXTO Cleiton de Oliveira FOTO selvaSP
(Foto: selvaSP /Divulgação)
Na cidade de São Paulo, durante muito tempo, arte urbana foi quase sinônimo de grafite. No entanto, essa imensa galeria a céu aberto também abriga vários trabalhos, de diversos artistas, feitos com as mais diferentes técnicas e sempre com o mesmo objetivo: chamar a atenção dos apressados moradores da metrópole.
Esse é o caso do redator Zico Farina, que, com o irmão – o fotógrafo Tiago – e a amiga Patrícia Matzenbacher, realiza intervenções focadas nas calçadas paulistanas. O objetivo é atrair o olhar das pessoas para onde elas pisam e registrar todas as ações e ideias no site SidewalkingSP [sidewalkingsp.tumblr. com]. Tudo começou por causa de um carrinho de bebê, quando Farina levava seu filho recém-nascido para o primeiro passeio e se deparou com calçadas em péssimo estado.
O episódio fez nascer a vontade de protestar por meio da arte. “Uma cidade rica como São Paulo não pode ter calçadas tão pobres, pois elas funcionam como suas veias e artérias. Ninguém conhece uma cidade de verdade de dentro de um apartamento ou através do vidro fechado de um carro”, acredita.
Todas as obras de Farina têm as calçadas como ponto de observação e partida: olhos colados em árvores atentos ao chão, setas feitas de post-its apontando irregularidades, ou curativos em rachaduras, ação similar à criada recentemente pelo movimento Curativos Urbanos [facebook. com/curativosurbanos], que evidencia os buracos nas calçadas com grandes ataduras vermelhas Farina busca o apelo visual, mas, sobretudo, a reflexão. “São Paulo deveria ter a pretensão de possuir as melhores calçadas e ciclovias do mundo. Se caminhamos olhando para o chão, nunca veremos o horizonte”, afirma.
COLAGENS PELO CAMINHO 
Reflexivo também é o trabalho da roteirista Laura Guimarães, que, desde 2010, cola em postes  e pontos de ônibus pequenas histórias batizadas de “microrroteiros” [veja uma delas na página 14]. As histórias são criadas por ela e por outras pessoas, redigidas quase como poemas, em letras minúsculas – fugindo do padrão de um roteiro tradicional –, e impressas em papéis coloridos “para fazer contraste com o cinza burro quando foge da cidade”.
Sempre com seu material na mochila, ela prega os cartazes “quando dá vontade”, mas também promove sessões de colagens de onde saem muitas histórias. “Uma vez um cara discutiu comigo dizendo que aquilo não era arte, era sujeira”, conta. Em outra ocasião, teve de “enfrentar” um cobrador de ônibus ofendido. Ele alegou ser uma discriminação contra a sua classe o seguinte texto: “Você gosta de samba?”, perguntava o cobrador chamando os passageiros para formar uma roda junto à catraca. “Não consegui entender e aí duas mulheres se meteram e disseram que o problema era dele, que não estava interpretando o texto direito”, relembra.
Laura integra o coletivo Vértices Casa, do qual também faz parte Mozart Fernandes. Ele utiliza tinta acrílica, spray, nanquim e carvão para pintar em jornais desenhos com detalhes de corpos femininos intitulados Foda-me com Amor. A ideia surgiu quando ele e sua mulher, Mônica Rodrigues Fernandes (diretora de arte do coletivo), começaram a conversar com grafiteiros que estavam expondo seus trabalhos na Vértices. Das conversas, surgiu uma proposta de ele, artista plástico de formação, fazer o caminho inverso e levar sua arte para as ruas.
Fernandes começou pintando mulheres, algumas com os rostos sangrando, em vários pontos da cidade, e foram indagações sobre as dificuldades e a impessoalidade amorosa e sexual entre as pessoas que o levaram ao tema. “Era uma época em que todo mundo estava meio doce, poético, mas ao mesmo tempo as pessoas não sabiam como lidar com a matéria, não podiam ligar no dia seguinte. Isso é uma violência social, de conduta, de relacionamento”, acredita.
Sozinho ele espalhou cerca de 120 obras pelas regiões de Pinheiros, de Vila Madalena, dos Jardins, da Bela Vista e do Centro. “Queria despertar esse desejo de a pessoa pensar no que realmente quer dizer o ‘foder com amor’’’, conta. O inusitado é que Fernandes acredita receber mais reações positivas das pessoas mais velhas. “Uma vez, uma senhora de 80 e poucos anos, judia, sobrevivente do Holocausto, que fugiu para o Brasil, falou que adorava o meu trabalho. Pessoas mais velhas não veem o título do projeto como palavrão. Sinto mais preconceito de gente nova, talvez por falta de vivência”, analisa.
Atualmente, apenas quatro obras dessa série ainda estão nas ruas – e isso não incomoda o artista. O que ele não aprova é a opressão. “Se você estiver colando e a polícia passar, eles normalmente não te levam preso, mas fazem você tirar a obra e pegam o que você tiver na bolsa. Isso é um roubo”, diz Fernandes, que só teve problemas com as autoridades uma vez. Levado à delegacia, foi questionado pelo delegado por que ele tinha sido acusado de atentado ao pudor. Resposta: estava colando seu trabalho em caixas de telefone. “Ao contar que minha obra se chamava Foda-me com Amor ele deu risada e pediu meu cartão; falou que iria a uma exposição minha”, conta.
Entre agosto e setembro, o artista foi parar em Amsterdã e Berlim. Na bagagem, mais de cem obras feitas com jornal para colar pessoalmente na Europa. A oportunidade surgiu depois da entrega de alguns de seus trabalhos ao fotógrafo francês Eric Marechal.
Há 20 anos, Marechal começou a observar a arte de rua e passou a registrar o que via logo depois de visitar Chicago, a trabalho, representando uma empresa de softwares. Hoje, ele já tirou mais de 70 mil fotos, mas seu destino só começou amudar em 2004, durante um voo entre a Cidade do México e Amsterdã. Enquanto organizava suas imagens no computador, a senhora sentada ao seu lado começou a puxar assunto sobre o material. Ela era professora da Universidad Autónoma Metropolitana, uma das maiores do México, e propôs a ele a realização de uma exposição, pois também era pesquisadora do tema. Além de ter exposto 150 fotos ampliadas, ele criou o blog Urban Hearts [urbanhearts.com].
Com mais de dez mostras ao redor do mundo (duas em São Paulo), Marechal tem a arte urbana como principal ocupação. Desde 2008 – quando colou e fotografou o trabalho de 15 artistas parisienses no Japão e na Coreia do Sul –, é responsável por tocar o Street Art Without Borders. Com o projeto, colou e fotografou pessoalmente o trabalho de mais de 365 artistas, em cerca de 35 países; e o que conta com mais representantes – em torno de cem – é o Brasil. “O que eu espero é que pessoas de todos os cantos sejam vistas em lugares aonde elas não vão”, conta.
Desde 2001, o fotógrafo vem cerca de quatro vezes por ano ao Brasil, onde sempre encontra pessoas receptivas, como moradores de rua, dos quais ele ouviu agradecimentos. “Por eu decorar a casa deles”, explica. “Em Paris, as pessoas ficam nervosas, insultam o artista. A arte de rua é a parte principal da produção contemporânea e é considerada por muitos como vandalismo.”
ESPAÇOS COLORIDOS E COSTURADOS
São Paulo recebeu recentemente o Coletivo MUDA [coletivomuda.com.br], formado por cinco cariocas: os designers Bruna Vieira e João Tolentino e os arquitetos Diego Uribbe, Duke Capellão e Rodrigo Kalache. Eles coloriram espaços nos bairros Vila Madalena, Ibirapuera e Liberdade e nas avenidas Nove de Julho e Paulista. As intervenções utiliza módulos de azulejos e ladrilhos, que geram um trabalho abstrato e lúdico. “O MUDA faz composições únicas com revestimentos lisos e pintados com antecedência, com tinta spray ou até mesmo com azulejos levados ao forno, mais resistentes”, explica João Tolentino. Depois de pronto, o material é aplicado com argamassa. “Nosso objetivo é a rua e a todos aqueles que por ela passam”, define.
Integrar pessoas e o espaço urbano também é o que pretendem artistas que utilizam agulhas e linhas para costurar a cidade, por meio das técnicas de tricô e crochê. O nome mais usual dado a essa arte é yarn bombing, e recentemente São Paulo recebeu uma das mais conhecidas artistas do gênero, a polonesa Agata Olek. Com ajudantes locais, ela cobriu um playground em formato de jacaré, no Sesc Interlagos.
Essa técnica também possui representantes locais, como o Clube do Útero [clubedoutero.blogspot.com.br], Tricotarde [tricotarde.com] e Letícia Matos. Professora de ioga, a gaúcha Letícia sempre tricotou e, depois de ter ido a um encontro mensal do Tricotarde, ensinou a técnica a duas amigas. Elas fizeram 13 pompons (que passou a ser o nome do trabalho) e fixaram o resultado em uma árvore.
“Uma vez um cara discutiu comigo dizendo que aquilo não era arte, era sujeira.”
Laura Guimarães
De março até hoje, Letícia ultrapassou as cem intervenções e levou seu trabalho para Mendonza, Buenos Aires, Porto Alegre, Paraty, Goiânia e Belo Horizonte, onde apresentou uma obra conceitual com mil pompons. Em São Paulo, colocou seu trabalho em diversas árvores e postes, dos quais ela tem a medida. Para as árvores é necessário planejamento: a largura do tronco varia e é preciso pedir autorização, quando ela fica na frente de uma casa ou estabelecimento.
A artista faz tudo sozinha, mas recebe positivamente eventuais companhias. Em uma sexta-feira à noite, Letícia estava tricotando o poste de um orelhão na Avenida Paulista e um rapaz puxou conversa. “Ele perguntou se estavaatrapalhando. Eu disse que não e ficamos batendo papo. No fim, ele me deu seu cartão e foi tudo muito engraçado”, conta.
Apesar de a interação espontânea ser bem-vinda, não existe um público-alvo para a colorida arte tricotada de Letícia e, assim como para outros artistas, a pouca durabilidade da obra é algo que também não a incomoda. “Eu faço e desapego. Faço, dedico, tiro a foto e pronto.” O objetivo, assim como o da maioria dos artistas de rua, é chamar a atenção das pessoas para o lugar onde elas estão. E é certo que nem sempre isso é alcançado. “Há aqueles que nem sabem da existência de um orelhão na rua. As pessoas andam sem olhar para os lados, um atropelando o outro.”














  • (Foto: selvaSP /Divulgação)
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